Dor de cabeça é um dos motivos mais comuns de consulta com o neurologista. Muita gente convive com crises por anos, usando analgésico por conta própria, sem saber que existe um diagnóstico e um tratamento adequados. O Dr. Tiago Abreu, neurologista em Poços de Caldas, atende pacientes com enxaqueca e outras cefaleias, com avaliação individualizada de cada caso.
Cefaleia é o nome médico para dor de cabeça. Elas se dividem em dois grandes grupos:
Cefaleias primárias: a dor de cabeça é a própria doença. Fazem parte deste grupo a enxaqueca, a cefaleia tensional e a cefaleia em salvas.
Cefaleias secundárias: a dor é um sintoma de outra condição, como infecções, pressão alta, uso excessivo de medicamentos, trauma na cabeça ou, mais raramente, doenças que afetam o cérebro.
A enxaqueca é uma doença neurológica que afeta cerca de 15% da população, com maior frequência em mulheres. Ela costuma começar na adolescência ou no início da vida adulta e pode aparecer também na infância.
Sintomas mais comuns:
dor latejante ou pulsátil, geralmente de um lado da cabeça, de intensidade moderada a forte;
piora com esforço físico, como subir escadas ou caminhar;
náuseas e vômitos;
incômodo com luz (fotofobia) e com barulho (fonofobia);
crises que duram de 4 a 72 horas quando não tratadas.
Enxaqueca com aura: em parte dos pacientes, antes ou durante a dor surgem sintomas neurológicos temporários, como luzes piscando, pontos ou zigue-zague na visão, formigamento em uma parte do corpo ou dificuldade para falar. A aura costuma durar de 5 a 60 minutos e desaparece por completo.
Enxaqueca crônica: quando a dor de cabeça ocorre em 15 dias ou mais por mês, durante mais de 3 meses, com características de enxaqueca em pelo menos 8 desses dias. Nesse caso, o acompanhamento neurológico é ainda mais importante.
Cefaleia tensional: é a mais frequente. A dor é em pressão ou aperto, nos dois lados da cabeça, de intensidade leve a moderada, e geralmente não vem acompanhada de náuseas. Costuma estar ligada a estresse, má postura e tensão muscular.
Cefaleia em salvas: é rara, mais comum em homens, e causa uma dor muito intensa ao redor de um olho ou na têmpora, com lacrimejamento, nariz entupido e inquietação. As crises duram de 15 minutos a 3 horas e se repetem por semanas, em "salvas".
Cefaleia por uso excessivo de medicamentos: quando analgésicos são usados com muita frequência, por exemplo mais de dois ou três dias por semana, a dor de cabeça pode passar a ser causada pelo próprio remédio. É uma situação comum e tem tratamento.
Os gatilhos variam de pessoa para pessoa. Os mais relatados são:
sono irregular, tanto o excesso quanto a falta;
pular refeições e ficar muito tempo em jejum;
estresse e ansiedade;
variações hormonais, como o período menstrual;
álcool, em especial vinho e cerveja;
cheiros fortes, luz intensa e barulho;
mudanças de temperatura e de clima.
Anotar as crises em um diário (data, horário, duração, o que você tinha feito antes e qual remédio usou) ajuda muito o médico a identificar o seu padrão.
Procure um pronto atendimento, ou ligue para o SAMU (192), se a dor de cabeça vier com:
início súbito e muito intenso, a "pior dor da vida";
febre e rigidez no pescoço;
fraqueza, formigamento ou dormência em um lado do corpo;
dificuldade para falar, perda de visão ou confusão mental;
convulsão ou desmaio;
dor após uma pancada na cabeça.
Agende também uma consulta com o neurologista se a dor de cabeça começou depois dos 50 anos, se está piorando aos poucos, se acorda você durante a noite ou se mudou de padrão.
O diagnóstico da enxaqueca e da maioria das cefaleias é clínico, ou seja, baseado na conversa e no exame neurológico. Na consulta, o médico investiga como são as crises, com que frequência ocorrem, o que melhora ou piora a dor, seu histórico de saúde e os medicamentos em uso.
Exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia, nem sempre são necessários. Eles são solicitados quando há sinais de alerta ou quando o quadro foge do padrão esperado.
A enxaqueca não tem cura, mas tem controle, e a grande maioria dos pacientes melhora com o tratamento certo. O plano é montado de acordo com a frequência e a intensidade das crises, e pode incluir:
Tratamento da crise: medicamentos para interromper a dor quando ela aparece, usados no momento e na forma corretos.
Tratamento preventivo: indicado quando as crises são frequentes ou incapacitantes, para reduzir quantas vezes elas acontecem e quanto duram. Existem diferentes opções, e a escolha depende de cada paciente.
Ajuste de hábitos: regularidade no sono e nas refeições, hidratação, atividade física e manejo do estresse.
Revisão do uso de analgésicos: para evitar que o remédio piore o quadro.
Não use medicamentos por conta própria nem aumente doses sem orientação. Cada caso precisa de avaliação médica.